Por que estudar estatística em Psicologia?

Todo semestre é a mesma coisa: quando os números começam a pipocar na disciplina de avaliação psicológica, os alunos já reclamam. A estatística é o terror de muitos deles. Esse medo vem de um processo escolar inadequado, em que a matemática é tida como punitiva, como matéria difícil, e pela dificuldade do professor em demonstrar a relação que os números têm com o cotidiano.

No dia a dia, se você calcula, mesmo que mentalmente, a quantidade necessária de água em uma panela para cozinhar uma porção de arroz, você está usando estatística. Ao controlar a velocidade do seu carro para fazer uma curva na estrada, você está usando estatística. Para qualquer estimativa ou cálculo de probabilidades, mesmo que de maneira instintiva, ela será necessária.

Em Psicologia, a estatística auxilia no delineamento de uma pesquisa, no levantamento e no teste de hipóteses. Ela possibilita verificar o nível de associação entre variáveis e comparar grupos diferentes, ou o mesmo grupo ao longo do tempo, com relação a alguma característica. Ela norteia qualquer tomada de decisão. A base de uma prática baseada em evidências são os dados estatísticos. Quando a prática em Psicologia apresenta alguma dúvida, ela será respondida por meio das informações geradas pela pesquisa científica.

Quando estou em sala de aula, escuto frases prontas, como “fiz Psicologia para nunca mais estudar matemática”. Além de ser um fato deprimente alguém escolher um curso superior a partir daquilo que não se quer fazer, a estatística não está relacionada à matemática o tempo todo. Ela é muito mais um exercício da lógica do que o uso do raciocínio numérico ou matemático. Explico: embora haja uma grande quantidade de números, fórmulas e cálculos, o que se precisa, em Psicologia, não é disso tudo. Para a estatística em Psicologia, não é necessário o conhecimento matemática em si – os cálculos, o computador faz. O mais importante é a compreensão dos resultados que surgem deles, o significado dos dados gerados e a capacidade de interpretação de um conjunto de informações. A estatística ajuda a desenvolver o raciocínio em geral e a capacidade de estabelecer conexões.

É importante lembrar que, apesar de o computador fazer os cálculos, quem explica o que os números sugerem é o psicólogo. O número em si não significa nada – é necessário interpretá-lo. Além disso, mesmo que todos os cálculos indiquem para um determinado resultado, o ser humano não é totalmente previsível, o ambiente também não. A estatística é falível, pois por si só não fornece causas para os fatos, apenas tendências. Isso refuta a fala de diversos professores e profissionais de Psicologia que insistem em dizer que esse tipo de conhecimento é determinista e não considera as variáveis necessárias para o entendimento de um fenômeno psicológico.

A estatística é uma ferramenta que se adequa à metodologia de qualquer área do conhecimento, essencialmente nos campos de pesquisa. É preciso conhecer, ao menos o básico, para produzir conhecimento e compreender as descobertas científicas em qualquer profissão que se escolha. Especificamente na Psicologia, a estatística ajuda a entender de maneira sistemática a variabilidade do comportamento humano. Assim, entender a importância da estatística e seus usos, tanto na Psicologia quanto no cotidiano, é a melhor maneira de parar de lutar contra ela.

2 thoughts on “Por que estudar estatística em Psicologia?

  1. Estudar estatística em psicologia em seu inicio pode parecer sem sentido,mais em seu decorrer irá perceber que é muito útil e prazeroso.
    Não se assuste se você ainda não achou o lado prazeroso leia e se aprofunde no assunto que será hintequecedor e poderá te ajudar a encontar o sentido da estatística na psicologia, e assim como eu passará a amar este contexto.

O que você pensa sobre isso?